Síndrome do pânico

Tratamento de Síndrome do pânico com psiquiatra em Brasília

Júlia estava na fila do supermercado, em uma terça-feira comum. De repente, uma onda de calor subiu por seu corpo. O coração, sem aviso, começou a disparar de forma tão violenta que parecia que ia sair pela boca. O ar tornou-se denso e cada respiração era uma luta. Sua visão ficou turva, as mãos formigavam e uma sensação avassaladora de irrealidade tomou conta de tudo. Um único pensamento dominou sua mente: “Estou tendo um infarto. Vou morrer aqui”. Ela abandonou o carrinho e saiu correndo, buscando por ar, por uma saída, por ajuda. Quinze minutos depois, sentada na calçada, os sintomas diminuíram, deixando para trás um cansaço extremo e uma vergonha paralisante.

O que Júlia teve não foi um infarto. Foi um ataque de pânico. Mas o verdadeiro problema, a “doença” em si, não começou naquele dia, mas sim no dia seguinte. O medo de que aquilo acontecesse de novo era tão intenso que ela passou a evitar supermercados. Depois, cinemas e, por fim, qualquer lugar com muitas pessoas. A vida de Júlia começou a ser governada não pelo pânico, mas pelo medo de senti-lo novamente.

Essa é a essência da Síndrome do Pânico ou Transtorno de Pânico. Não é apenas a explosão de medo, mas a prisão que se constrói ao redor dela. Se essa história ressoa com você, meu trabalho como psiquiatra é claro: vamos juntos entender por que esse alarme falso dispara e, mais importante, aprender a desativá-lo para que você possa retomar o controle.

O que é um ataque de pânico? 

Um ataque de pânico é um pico abrupto de medo ou desconforto intenso que surge de forma inesperada e aguda. Esse sentimento muitas vezes vem “do nada”, de forma que a pessoa não entende muito bem um porquê. 

Em geral, ele vem associado com sintomas físicos muito desconfortáveis (que variam de pessoa pra pessoa, com muitas apresentações possíveis):

  • Palpitações, coração acelerado, taquicardia.
  • Sudorese.
  • Tremores ou abalos.
  • Sensações de falta de ar ou sufocamento.
  • Sensação de asfixia.
  • Dor ou desconforto no peito.
  • Náusea ou desconforto abdominal.
  • Sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio.
  • Calafrios ou ondas de calor.
  • Parestesias (anestesia ou sensações de formigamento).
  • Desrealização (sensações de irrealidade) ou despersonalização (sentir-se distanciado de si mesmo).
  • Medo de perder o controle ou “enlouquecer”.
  • Medo de morrer.

Sentindo isso e sem uma causa psicológica evidente, a pessoa muitas vezes acredita ser uma doença grave, como infarto ou AVC, e corre para o hospital. Apesar de ser uma experiência terrível, a primeira coisa que a pessoa precisa entender é que o ataque de pânico não é um risco à saúde física. É uma descarga massiva do sistema de “luta ou fuga” que surge por um “disparo do nosso sistema de alarme” em falso.

De ataque a transtorno: o nascimento do “medo do medo

Ter um ou dois ataques de pânico ao longo da vida pode acontecer com qualquer pessoa diante de um estresse extremo. O que define a Síndrome do Pânico são as consequências dessas crises:

  1. Ansiedade antecipatória: Uma apreensão e preocupação persistente sobre ter novos ataques ou sobre suas consequências (como ter um ataque cardíaco ou “enlouquecer”).
  2. Comportamentos de Evitação: Mudanças significativas no comportamento para evitar ter ataques. Isso pode incluir evitar exercícios físicos (para não acelerar o coração), evitar cafeína, evitar lugares ou situações onde um ataque anterior ocorreu ou onde seria difícil escapar/obter ajuda. Quando essa evitação se torna ampla, damos o nome de Agorafobia, uma complicação comum e incapacitante do pânico.

O transtorno, portanto, é menos sobre os ataques e mais sobre o ciclo vicioso do “medo de sentir medo”, que encolhe o mundo da pessoa até que ele se resuma a lugares “seguros”.

Pessoa caminhando sobre vidro rachado enquanto monitora o próprio coração, simbolizando o "medo do medo" na Síndrome do Pânico.

Minha abordagem de tratamento para a síndrome do pânico

A boa notícia é que a Síndrome do Pânico tem um tratamento muito eficaz. Nossa estratégia é de duas frentes: primeiro, silenciamos o alarme falso para que ele pare de disparar inesperadamente; segundo, ensinamos você a não ter mais medo do som do alarme, caso ele toque.

Farmacoterapia: silenciando o alarme falso

Como psiquiatra, sei que é quase impossível fazer o trabalho terapêutico de exposição enquanto o paciente vive sob a ameaça constante de novos ataques. Por isso, a medicação é o nosso primeiro e fundamental passo.

O objetivo é “recalibrar” o sistema de alarme do cérebro, tornando-o menos reativo. Os medicamentos de primeira linha para isso são os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRSs) e os Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (IRSNs). Eles não viciam e reduzem drasticamente a frequência e a intensidade dos ataques de pânico, funcionando como uma medida preventiva.

Em alguns casos, no início do tratamento, podemos usar benzodiazepínicos (“calmantes”) por um curto período para controlar crises agudas, mas eles não são a solução a longo prazo devido ao risco de dependência. Eles vão ajudar a aliviar imediatamente no começo do seu tratamento. A base do tratamento farmacológico é sempre a medicação de uso contínuo, que cria a estabilidade necessária para o próximo passo.

Psicoterapia: desarmando a bomba-relógio interna

Com os ataques de pânico controlados pela medicação, podemos nos dedicar a tratar o “medo do medo”. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é a abordagem mais eficaz para isso.

  • Psicoeducação: O primeiro passo é entender o que é um ataque de pânico. Explicar a fisiologia da “luta ou fuga” é libertador. Quando você entende que o coração acelerado é apenas adrenalina e não um infarto, o sintoma perde muito de seu poder catastrófico.
  • Reestruturação cognitiva: Trabalhamos para identificar e corrigir as interpretações erradas que você faz dos seus sintomas físicos. Trocamos “Estou sufocando” por “É apenas uma sensação de ansiedade, ela vai passar”.
  • Exposição interoceptiva: Esta é uma técnica central. Em um ambiente seguro e controlado, induz-se propositalmente as sensações físicas que você teme (ex: rodar em uma cadeira para ficar tonto; respirar rápido para sentir falta de ar). O objetivo é quebrar a associação condicionada entre a sensação física e a catástrofe, mostrando ao seu cérebro que essas sensações são inofensivas.
Ilustração do processo de psicoeducação no tratamento da Síndrome do Pânico, com paciente aprendendo sobre seu corpo.

Retomando o controle: a vida além do pânico

A recuperação da Síndrome do Pânico é ver seu mapa se expandir novamente. É poder entrar em um supermercado, em um avião ou em uma reunião sem o medo constante do alarme disparar. Não significa nunca mais sentir ansiedade, mas sim ter a confiança de que, mesmo que sinta o coração acelerar, você tem as ferramentas para entender a situação e não permitir que ela se transforme em pânico.

Júlia voltou a frequentar o supermercado. No início, com ansiedade, mas armada com o conhecimento de que as sensações não eram perigosas. Com o tempo, o medo do medo se dissipou. A liberdade de ir e vir sem planejamento de fuga é a verdadeira medida do sucesso do tratamento. Esse caminho também está disponível para você.

Pessoa saindo de um lugar apertado para um espaço aberto e iluminado, simbolizando a recuperação da Síndrome do Pânico.

Perguntas frequentes sobre a Síndrome do Pânico

1. Posso morrer ou enlouquecer durante um ataque de pânico?
Não. Apesar de a sensação ser essa, um ataque de pânico é uma reação fisiológica de “luta ou fuga” e não causa danos ao coração nem leva à psicose. É uma experiência extremamente desagradável, mas fisicamente inofensiva e autolimitada (sempre passa).

2. Qual a diferença entre Síndrome do Pânico e Ansiedade Generalizada (TAG)?
No Pânico, a ansiedade se manifesta em “explosões” agudas e intensas (os ataques), com um medo central de ter novos ataques. No TAG, a ansiedade é um “arder lento”, um estado de preocupação crônica e constante sobre diversas áreas da vida, sem necessariamente ter ataques de pânico completos.

3. É possível tratar o pânico sem medicação?
Para casos leves, a psicoterapia isolada pode ser suficiente. No entanto, para a Síndrome do Pânico estabelecida (ataques recorrentes e evitação), a abordagem combinada de medicação (para prevenir os ataques) e TCC (para tratar o medo do medo) é comprovadamente a mais eficaz e rápida para a recuperação.

4. Como posso ajudar alguém que está tendo um ataque de pânico?
Mantenha a calma. Fale com uma voz tranquila e segura. Leve a pessoa para um lugar mais reservado, se possível. Não diga “se acalme” ou “não é nada”. Em vez disso, diga frases como “Estou aqui com você”, “Isso é um ataque de pânico, ele vai passar”, “Concentre-se na sua respiração comigo”. Lembre-a de que ela está segura.

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Tratamento especializado em Síndrome do pânico com psiquiatra em Brasília
“O papel do psiquiatra não é apenas medicar. É construir com o paciente um caminho de volta para o equilíbrio emocional, usando a ciência como base e os valores individuais como bússola.”

Dr. Andrey Rocca
Médico psiquiatra