TDAH

Tratamento de TDAH com psiquiatra em Brasília

Na escola, Pedro era o “menino que vivia no mundo da lua”. Seus cadernos eram cheios de desenhos nas margens e frases pela metade. Os professores reclamavam que ele era inteligente, mas “não se esforçava”. Em casa, era uma luta para fazer a lição. Ele esquecia os materiais, perdia o foco com o voo de uma mosca e, muitas vezes, simplesmente não conseguia começar. Era um misto de frustração e da sensação de que havia algo de “errado” com ele.

Anos depois, aos 30, Pedro é um profissional inteligente e talentoso. Mas a vida adulta trouxe novos desafios. Ele tem dificuldade em cumprir prazos, sua caixa de e-mails é um caos, ele tem dificuldade para iniciar e concluir tarefas. Os seus planejamentos não são bem executados, já que perde o interesse com facilidade. Segue esquecendo objetos e teve dois acidentes de carro este ano por desatenção.

A história de Pedro é a jornada clássica do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Não é um problema de caráter ou preguiça. É uma condição do neurodesenvolvimento; uma forma diferente de o cérebro operar. Se essa narrativa de potencial e frustração constantes parece a sua, meu trabalho como psiquiatra é ajudá-lo a entender o manual de instruções da sua mente para que você possa usar todo o seu potencial a seu favor.

O que é o TDAH? Um cérebro com um sistema de fiação diferente

Imagine que o seu cérebro é uma orquestra. O maestro, responsável por decidir qual instrumento toca, com que intensidade e em que momento, é o seu córtex pré-frontal. Essa região é o centro do nosso controle executivo: foco, planejamento, controle de impulsos, organização. No cérebro com TDAH, o maestro parece estar com dificuldade em reger a orquestra – um neurotransmissor chave nesse processo é a dopamina, que não funciona da forma esperada.

O cérebro com TDAH não tem “falta” de atenção. Pelo contrário, ele presta atenção a tudo ao mesmo tempo. O problema está no filtro – a dificuldade é direcionar e sustentar o foco no que é importante e inibir as distrações. A hiperatividade não é apenas agitação motora; é uma mente que não pára, buscando constantemente novos estímulos, muitas vezes prazerosos, vivendo pelo princípio do prazer imediato.

Ilustração da mente de uma pessoa com TDAH, mostrando um fluxo caótico e multifacetado de pensamentos e ideias.

O Diagnóstico responsável do TDAH: muito além de um checklist

Nos últimos anos, o TDAH ganhou os holofotes. Se por um lado isso aumentou a conscientização, por outro, gerou uma perigosa onda de autodiagnósticos e uma banalização do que é, na verdade, um diagnóstico clínico complexo. Desatenção, procrastinação e inquietude são experiências humanas. Para que se tornem um transtorno, precisam ser persistentes, abrangentes e, crucialmente, causar prejuízo real.

Cuidado: A vida moderna pode mimetizar o TDAH

Antes de sequer considerar o diagnóstico de TDAH em um adulto, é meu dever como médico descartar outras condições que são grandes imitadoras de seus sintomas. A nossa rotina atual é um prato cheio para a desatenção:

  • Privação de sono: Uma única noite mal dormida já afeta drasticamente nosso córtex pré-frontal. A privação crônica gera um quadro idêntico à desatenção do TDAH.
  • Burnout: O esgotamento profissional leva à dificuldade de concentração, irritabilidade e perda de motivação, sintomas que se confundem com o transtorno.
  • Ansiedade e Depressão: Uma mente ansiosa está ocupada com preocupações, o que impede o foco no presente. Uma mente deprimida tem sua energia e capacidade cognitiva diminuídas. Muitas vezes, estes são os verdadeiros diagnósticos.
  • Estilo de vida digital: O bombardeio constante de notificações e o fluxo infinito de informações das redes sociais treinam nosso cérebro para a distração e para a busca por novidades, fragmentando nossa capacidade de atenção sustentada.

A Regra de Ouro: Os sintomas com início na infância

Esta é a cláusula mais importante: o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento. Isso significa que o cérebro se desenvolveu de uma forma diferente desde o início. Portanto, é impossível “desenvolver” TDAH na vida adulta. Para um diagnóstico acurado, é imprescindível investigar e encontrar evidências claras de que os sintomas de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade já estavam presentes e causavam prejuízo antes dos 12 anos de idade, mesmo que não tenham sido diagnosticados na época. 

Isso é importante porque os estimulantes (medicamentos padrão-ouro para TDAH) podem piorar sintomas de desatenção e hiperatividade presentes em outras condições como depressão, bipolaridade, ansiedade. Assim, precisamos fazer uma análise aprofundada, para que consigamos fazer um tratamento preciso, baseado em evidências científicas.

Pessoa completando um quebra-cabeça de seu próprio rosto, simbolizando o momento de clareza com o diagnóstico de TDAH.

A Trajetória do TDAH: uma apresentação que muda com a idade e o gênero

A “cara” do TDAH não é a mesma para todos e se transforma ao longo da vida.

Na infância

  • Meninos: A apresentação clássica. A hiperatividade é mais externa e visível. São os meninos que não param quietos na cadeira, que sobem nas coisas, que interrompem e que são frequentemente levados ao consultório por “problemas de comportamento”.
  • Meninas: Frequentemente subdiagnosticadas. A apresentação tende a ser predominantemente de desatenção. São as “sonhadoras”, “avoadinhas”, que se perdem em seus pensamentos. A hiperatividade é mais sutil, como falar muito ou roer unhas. Elas internalizam o sofrimento, muitas vezes desenvolvendo ansiedade e baixa autoestima, mas como não “atrapalham a aula”, passam despercebidas.

Na adolescência

  • Meninos: A hiperatividade motora pode diminuir, mas a impulsividade aumenta, levando a comportamentos de risco (uso de substâncias, direção perigosa). A dificuldade escolar se torna mais evidente com o aumento da demanda acadêmica.
  • Meninas: A pressão social e acadêmica se intensifica. A dificuldade em se organizar e manter o foco leva a uma queda no desempenho. A desregulação emocional se torna um sintoma central, com reações intensas. Para “se encaixar”, elas podem começar a mascarar seus sintomas, um esforço exaustivo que cobra um alto preço em sua saúde mental.

Na vida adulta

  • Homens: A desorganização e dificuldade de planejamento/execução de tarefas predomina, de forma que a procrastinação e a dificuldade em finalizar projetos são queixas centrais. Manifestam a inquietude interna com a necessidade de estar sempre ocupados, trocas frequentes de emprego, dificuldade em relacionamentos estáveis. 
  • Mulheres: O diagnóstico muitas vezes acontece tardiamente, quando a sobrecarga de gerenciar carreira, casa e filhos torna a desorganização insustentável. A sensação é de estar constantemente “se afogando”. A exaustão mental é profunda. A comorbidade com ansiedade e depressão é extremamente alta, e muitas vezes elas são tratadas para essas condições por anos, sem que o TDAH, a causa raiz, seja identificado.

Minha abordagem de tratamento para o TDAH

O tratamento não visa “curar” o TDAH, mas sim gerenciar os sintomas para que você possa aproveitar os seus pontos fortes – como a criatividade, a energia e a capacidade de pensar fora da caixa.

Tratamento medicamentoso: afinando a “estação de rádio” do cérebro

A medicação é, na maioria dos casos, o pilar do tratamento do TDAH. Uso a analogia de um rádio: no TDAH, o rádio está pegando várias estações ao mesmo tempo, cheias de estática. É impossível ouvir a música. A medicação não cria uma nova música; ela afina o rádio, silencia a estática e permite que você ouça com clareza a estação que escolheu.

As medicações de primeira linha são os psicoestimulantes (como o Metilfenidato e a Lisdexanfetamina). Eles atuam aumentando a disponibilidade de dopamina e noradrenalina no córtex pré-frontal, melhorando diretamente o foco, o controle de impulsos e a organização. Existem também opções não estimulantes (como a Atomoxetina), que podem ser indicadas em casos específicos.

Psicoterapia: aprendendo a usar o “manual de instruções”

Se a medicação afina o rádio, a terapia ensina você a ser um excelente locutor. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) adaptada para o TDAH é extremamente prática e focada em criar sistemas para o presente: como usar agendas, aplicativos de organização, dividir grandes tarefas em pequenos passos e estratégias para o manejo da impulsividade e da desregulação emocional. O objetivo é construir as “rampas” de acesso para que o seu cérebro funcione melhor no mundo.

Uma nova relação com sua mente

O tratamento do TDAH liberta. Liberta da culpa de não ser “normal”, da frustração de não atingir seu potencial e do caos de uma mente que parece ter vida própria. A recuperação significa aprender a trabalhar com a sua mente, e não contra ela.

Profissional com TDAH canalizando sua energia de forma focada e produtiva após o tratamento adequado.

Perguntas frequentes sobre o TDAH

1. TDAH não é um diagnóstico que está “na moda” ou superdiagnosticado?
Embora a conscientização tenha aumentado, o TDAH é uma condição neurobiológica real. Um diagnóstico correto, feito por um especialista, é um processo clínico cuidadoso que investiga a história de vida do paciente desde a infância e, crucialmente, descarta outras possíveis causas para os sintomas, como privação de sono ou ansiedade.

2. Os remédios para TDAH são perigosos ou viciam?
Quando usados sob prescrição e acompanhamento médico rigoroso, os psicoestimulantes são seguros e eficazes. O risco de dependência com o uso terapêutico é baixo. Na verdade, estudos mostram que tratar o TDAH com medicação diminui o risco de o paciente desenvolver abuso de outras substâncias no futuro.

3. Se eu consegui me formar e ter um emprego, posso mesmo ter TDAH?
Sim. Muitas pessoas com TDAH, especialmente as mais inteligentes ou com forte estrutura de apoio, conseguem “compensar” suas dificuldades por anos. O transtorno se torna mais evidente quando as demandas da vida (carreira, família, finanças) ultrapassam a capacidade de compensação, levando a sofrimento e prejuízo.

4. Qual a diferença entre TDAH e Transtorno Bipolar?
A sobreposição de sintomas como impulsividade e distração pode confundir. A principal diferença está no padrão do humor. No TDAH, os sintomas são crônicos e constantes. No Transtorno Bipolar, o humor ocorre em episódios distintos e duradouros de depressão e/ou mania/hipomania, que são uma clara mudança do estado normal da pessoa. Um diagnóstico diferencial preciso é crucial.

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Tratamento especializado em TDAH com psiquiatra em Brasília
“O papel do psiquiatra não é apenas medicar. É construir com o paciente um caminho de volta para o equilíbrio emocional, usando a ciência como base e os valores individuais como bússola.”

Dr. Andrey Rocca
Médico psiquiatra